
As pedras são, as flores são, as nuvem são. É como se elas tivessem "ser", pois são alguma coisa. Mas não sabem disso. Não se aborrecem, não se alegram, não criticam o chefe ou o vizinho, nem mesmo têm dor de cotovelo. Somente a criatura humana (um Espírito, essencialmente, porém encarnado- desculpem aos que não concordam) existe conscientemente. Tem consciência do próprio ser.
Todos sabemos que somos alguma coisa. Somente nós temos essa condição. Porém, tomar consciência do real e verdadeiro motivo de nossa existência é coisa rara. Em geral temos tempo para consumir, para gostar daquilo que todos gostam, vivendo o que os outros vivem, esquecendo que somos, cada um, um ser que existe individualmente e que deve descobrir-se, autenticar-se.
A vida não é lucro. Viver é como uma expressão de aperfeiçoamento pessoal, ainda que, como nossa participação efetiva, colaboremos para que o coletivo também se aperfeiçoe. Viver é como um dom que nos foi dado e, deverá continuar a ser um dom de nós mesmos. A conformação com um tipo de prazer habitua-nos ao desinteresse, ao imediatismo, e nos distraímos das exigências de nossa abertura em busca da satisfação verdadeira de ordem naturalmente superior à uma busca pura e simples do prazer.
O prazer pode trazer a satisfação de uma necessidade, mas o plano da vida humana não se reduz ao imediatamente necessário. Perseguindo-se o prazer efêmero, experimenta-se- não sejamos hipócritas de negar- alegria toda vez que são alcançados, considerando esses momentos como felicidade inclusive, que, no entanto, não correspondem ao sentido profundo de que ela se reveste; e poucos, além de não experimentarem, parecem nem estar preparados. Penso, logo sou, li num livro de Richard Simonetti anos atrás. É que o pensamento revela a existência do homem a si mesmo. É ele (o pensamento), conduzido pela razão em desenvolvimento voluntário quem começa a nos livrar de nossas amarras..
A interpretação equivocada da vida é o que me parece nos conduzir à buscas irreais, que perdem, inclusive, o significado quando se alteram os fatores que constituem a cada uma de nossas vidas; o que nos é, por um tempo, satisfatório em determinada época da existência, muda completamente em outro período. Vivemos num mundo, e cercados de pessoas (sendo eu uma delas, muitas vezes, inclusive), em que a visão das pessoas está marcada pela busca de resultados imediatos. Viciados por demais em nossos critérios, através dos quais realizamos os nossos juízos de valor, fechamo-nos em nosso mundo particular, defendendo-o com unhas e dentes de quem tentar se aproximar. E muitos são os que existem e podem colaborar em nos ensinar a sentir e viver outras experiências.
É preciso coragem. "Viver é ter coragem de morrer", aprendi num encontro em Franca, aos 18 anos de idade, em 1996. Morrer como ser obrigado a desligar-se de tudo aquilo que nos fixamos nesta vida, que nos acomoda, que nos impede ao novo. Quando buscamos não nos fixar à essas coisas, na medida em que as transformamos, renascemos com nossa própria obra. Sempre!
Tenho um blog com minha pequena, a Koly, esta que alguns de vocês já sabem que é!
Http://affectuparticula.blogs.sapo.pt
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